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  • Homossexualidade

    Gostaria de saber a visão do buddhismo concernente ao homossexualismo. É ele discriminado ou suportado?

    Resposta de Dhanapala:Neste tema polêmico e atual o que é possível é traçar algumas linhas gerais que poderão servir de orientação para o julgamento individual. Primeiramente me parece importante distinguir diferentes níveis em que esta pergunta pode se colocar.

    a) Homossexualidade enquanto fato social e a discriminação de uma dada sociedade em relação a isto.
    b) Homossexualidade enquanto orientação sexual em si.
    c) Homossexualidade enquanto prática sexual e a relação disto com o caminho espiritual.

    Item a) enquanto fato social e as possíveis sanções e discriminações, parece-me que toda a tradição buddhista suporta integralmente a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU (1948) em seus 1o e 2o artigos que dizem: "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Eles são dotados de razão e consciência e devem agir uns em relação aos outros num espírito de irmandade; a todos são garantidos os direitos e liberdades, sem distinção de qualquer tipo, tal como raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem social ou nacional, propriedade, nascimento ou outro status”. Desta forma qualquer discriminação não é suportada ou incentivada.

    Item b) enquanto orientação sexual, todos os indivíduos são livres para pensarem ou desejarem o que quiserem - não poderia ser de outra forma - e somente o que o Buddhismo faz é tornar claras as implicações kammicas (skr. karmicas) de seja qual for os atos e pensamentos intencionais. Em outras palavras, todos são livres para fazer o que desejarem, mas devem desejar o quê para serem livres?

    Neste sentido, é preciso lembrar que o Buddhismo é um caminho voltado para a libertação e portanto seu objetivo último é a libertação de todas as condições, dentre as quais a sexualidade é uma entre tantas. Isto não significa que ela não tenha um papel na sociedade e na vida individual até que este objetivo último seja atingido. Como diz L. Perera: "A literatura buddhista tende a ser cautelosa quanto ao tema do sexo, pois o sexo está relacionado ao desejo sensual (kaama), reprodução biológica (punabbhava), literalmente 're-nascimento' no sa.msaara ou o ciclo de nascimentos e mortes, e portanto do sofrimento empírico (dukkha)".

    Item c) enquanto prática sexual, a partir disto, o homossexualismo não é discriminado, mas tão pouco suportado ou incentivado. Pode haver, sem dúvida, certas implicações energéticas em relação a algumas práticas sexuais mais favorecidas entre homossexuais, implicações principalmente abertas pela tradição tibetana, a qual lida, em certas vertentes, com os níveis físicos e energéticos do ser humano, e assim, de um ponto de visto tântrico, seriam desaconselháveis. Algo importante, além disso, é ponderar com que tipo de mente alguém se engaja na relação sexual, tomado pelo desejo sensorial e buscando unicamente a auto-satisfação, ou à procura da formação de um elo sadio com outra pessoa, elo que envolve cuidado, atenção e crescimento mútuo, considerações, de resto, importantes de serem feitas por qualquer um, independente de sua orientação sexual. Pessoalmente não conheço nenhuma passagem escritural que fale de "origens" para o homossexualismo. Quanto ao sexo pré-marital, o que me lembro é uma passagem do Buddha onde ele se refere como incorreta a prática sexual com alguém que ainda está sob a proteção, sustento e guarda dos pais. Em todo caso, fica sempre a lembrança importante sobre que tipo de mente/intenção está presente em nossos atos... Provavelmente esqueci uma série de outras questões, mas talvez sirva como um começo de discussão...

    Resposta de Tam Hao Van: Você faz muitas perguntas diferentes, e talvez espere uma resposta uniforme. Entretanto, como são muitas as linhas buddhistas, as formas de se explicar tanta coisa é muito complexa e, principalmente, *relativa*. Mas penso que eu posso resumir todo o cerne buddhista acerca de *qualquer coisa* em três pontos:

    1. A fonte do sofrimento se fundamenta em três modos pouco sadios de lidarmos com algo: com *apego*, com *aversão* e com *indiferença* (desprezo, frieza, cinismo). Busque ver os atos, pessoas e idéias com bom senso, e *jamais* se prenda a julgamentos morais baseados em simples dogmatismos. Ou seja, esforce-se para agir de um *quarto* modo, este sadio: com *integração*.

    2. Tudo que o ser humano é, o é por si mesmo. Ninguém pode impor a outrem o que estes são, ainda que sempre estejamos prontos a fazer isso a qualquer um que seja diferente de nós ou de nossas limitadas expectativas. Homossexuais, heróis, vilões, monges, políticos... os títulos e os rótulos são muitos. Mas o fundamental é ver o *humano*, e desse modo podermos agir com *upekkha*, com equanimidade.

    3. Todas as respostas, místicas ou não, que visem "explicar" o porquê de alguém ou alguma coisa ser de uma forma ou de outra, esconde o ponto fundamental: o que nós devemos estar atentos é a nossa própria ignorância, e a necessidade de superá-la com discernimento e sabedoria. Sobre isso afirma Gautama Buddha quando lhe perguntaram sobre a natureza da Alma e como os renascimentos agem em relação à natureza das pessoas: "Malunkya: certa vez um homem foi ferido por uma seta envenenada. Os amigos correram a buscar um médico, mas o ferido disse que só consentiria que lhe extraíssem a seta e o tratassem depois de lhe explicarem quem atirou a seta, com que arco ela foi laçada, qual a sua forma, etc. Que terá acontecido a ele? Certamente há de ter morrido antes de ver esclarecidas suas dúvidas. Malunkya, da mesma forma, respostas a perguntas acerca do caráter finito e infinito do universo, da natureza da alma, etc., não nos libertam do sofrimento. Precisamos libertar-nos do sofrimento nesta mesma vida. Por isso, Malunkya, não te preocupes com as questões que não ensino. Preocupa-te com as que ensino, que são: a Existência do Sofrimento a Origem do Sofrimento, a Cessação do Sofrimento e o Caminho para a Cessação do Sofrimento".
    Portanto, as respostas para as suas perguntas podem ser muitas, mas por favor procure perceber o quanto uma visão restrita leva a uma prática buddhista sem sentido.

    Conversas entre Liew Chin Leag e Ricardo Sasaki:

    Liew Chin Leag coloca: Eis aqui um artigo interessante. Ele examina se o homossexualismo, o comportamento sexual entre pessoas do mesmo sexo estaria quebrando ou não o terceiro preceito". [Para aqueles que são novos, o terceiro preceito ou regra de treinamento é a abstin6encia da conduta sexual incorreta. Ele é assim recitado: Eu tomo o treinamento de me abster da conduta sexual incorreta’. Ele é parte dos cinco preceitos que são a prática básica de todos os buddhistas, independentemente da escola de pensamento]. Embora o "homossexualismo não seja explicitamente mencionado em qualquer dos discursos do Buddha", este artigo que está firmemente fundamentado nos discursos, joga muita luz sobre o tema. Pessoalmente acredito que o autor é bem objetivo.
    Ricardo Sasaki coloca: Somente para dar uma visão mais equilibrada sobre as fontes deste autor e para as pessoas que as pessoas que nos lêem possam discutir e ter todas as referências, eu gostaria de lembrar que o Diigha A.t.thakathaa para o sutta 26, onde micchaa-dhamma parece se referir a "homens com homens, mulheres com mulheres" e é colocado como uma das fontes para a decadência do Dhamma (Walshe, n795).
    Liew Chin Leag coloca: Obrigado, Ricardo, pela referência. Somente no caso de haver pessoas chegando agora a essa discussão, gostaria de dar novamente a URL para este controvertido artigo: http://www2.hawkesbury.uws.edu.au/BuddhaNet/homosexu.htm. Francamente, ainda não tenho uma posição sobre o assunto. Subjetivamente, ainda me sinto pouco confortável em aceitar o homossexualismo como 'ok' ou em outras palavras, como não contrário ao terceiro preceito (minhas desculpas aos homossexuais presentes). Objetivamente, entretanto o Tipitaka não tem uma citação clara a respeito. É somente no Diigha A.t.thakathaa / Commentário (Sumangalavilaasinii pelo Ven. Buddhaghosa) que é dada a definição de " homens com homens, mulheres com mulheres" para "micchaa-dhamma" (que aparece no DN 26: Cakkavatti-Siihanaada Sutta / The Lion's Roar on the Turning of the Wheel Discourse). Mas ainda é insuficiente para dizer se o homossexualismo é considerado ou não uma má conduta sexual em relação ao terceiro preceito. Ainda assim, miccha-dhamma (ou o homossexualismo, assumindo que o comentário do Ven. Buddhagosa está correto) é a causa para o declínio da duração da vida humana (DN 26): E entre a geração cujo período de vida é de 500 anos, três coisas aumentam: incesto, excessiva ganância e práticas desviantes (no texto original: micchaa-dhamma)... e como resultado, os filhos daqueles cuja duração de vida era 500 anos, diminuiu para apenas 250 anos, alguns para 200 anos.  Está de acordo com o sutta, que os humanos costumavam viver por um tempo muito longo, e devido ao declínio geral da moralidade, a duração da vida humana foi se tornando cada vez mais curta. Durante o tempo do Buddha, a duração da vida humana era dita ser aproximadamente 100 anos. E no presente, cerca de 75. Alguns eruditos buddhistas tomam que isso signifique que no quadro geral a duração da vida humana diminui um ano por século. O quanto isso é verdade, eu não sei. Mas se estiverem certos e o Ven. Buddhaghosa estiver certo (e também os meus cálculos), o homossexualismo provavelmente começou e gradualmente tem crescido desde aproximadamente 42.500 anos atrás! Hmmm... pensamento interessante. Bem inútil, mas interessante.:) 

    Posted 27 Oct 08

  • Várias tradições

    Ethel: É importante conhecer todas as tradições budistas? O que há de comum entre elas? Para a prática devemos eleger uma das tradições?

    Posted 29 May 07

  • A Importância do Mestre no Budismo Theravada

    Qual a importância do mestre no Budismo Theravada? Ele também é considerado uma figura central, como no Budismo Zen ou no Budismo Tibetano?

         Att.

         Francisco Scherer
         Porto Alegre, RS

     

    Posted 29 May 07

  • Não há um centro Theravada em minha cidade

    [Perguntas feitas com freqüência]
    Não há um centro Theravada em minha cidade. O que fazer?
    Gostaria de seguir a escola Theravada, mas ainda não encontrei nenhum local aqui que siga o "caminho dos antigos". Gostaria de saber se existe algum que eu não saiba ou mesmo um grupo de pessoas que estudem nessa linha. Se não houver nenhum, o que fazer?

    Posted 29 May 07

  • Como eu faço para ser monge do Buddhismo Theravada?

    Como eu faço para ser monge do Buddhismo Theravada?
    [pergunta feita em uma comunidade Orkut]

    Posted 29 May 07

  • Shunyata, Anatman e o Theravada

    por: Maurício Meireles
    Enviada: Seg 24 Jul 2006 9:21 pm

    Ricardo e amigos,

    tomei conhecimento por um praticante theravadin do fato de não existir o conceito de "shunyata" na escola Theravada; segundo ele, nessa escola so existiria o conceito de anatman (ou anatta, como preferirem). Questionei sua afirmativa por dois motivos:

    1) Nunca soube que o Theravada não falava em vacuidade. Fiquei confuso - porque sequer tinha cogitado essa possibilidade - e fui pesquisar no acessoaoinsight.net e econtrei o seguinte sutra:

    http://www.acessoaoinsight.net/sutta/SNXXXV.85.htm

    2) O segundo motivo foi o fato de, pra mim, "vacuidade" e "não-eu" sempre terem soado como conceitos muito próximos - quase sinônimos, inclusive.

    Alguém poderia desfazer esse nó?
    ---

    Posted 29 May 07

  • Anatman

    Robermar Vieira - Visitante
    MensagemEnviada: 07 Mai 2006 08:46 pm   

    Prezados Senhores, não tenho religião, mas sou atraído por elas, não podendo evitá-las e procuro entendê-las.
    Quando me refiro a Buddha, estou me referindo a uma pessoa ou a um estado de iluminação? Creio que é esta última. Caso esteja certo, devo sempre citar o nome do Buddha ao qual quero fazer referência? Sidarta Gautama era um Bodhisatva, certo?

    Se o Buddha Sidarta esclareceu que não havia Atman, e seu corpo físico era mortal, logo impermamente, o que é que Nele alcançou a iluminação, se tornando Buddha, já que os cinco agregados foram dissipados. Qual era a sua essência? Já que não há alma - Atman?

    Ricardo, por favor, onde encontro o seu artigo que fala sobre Reencarnação/Ranascimento.

    Atenciosamente,

    Robermar.

    Posted 29 May 07

  • Onisciência

    Maurício Meireles - Visitante
    MensagemEnviada: Seg 18 Set 2006 8:28 pm    

    Ricardo e amigos,

    Lembro de ter lido, em algum lugar que não me lembro agora, sobre o buda ser onisciente. No cristianismo, costuma-se dizer que "não cai uma folha de uma árvore sem que Deus o saiba", o que, por motivos creio que claros, não é a ênfase do budismo. Entendo que é uma questão meramente conceitual, mas mesmo assim pergunto: certo de que não há relação com o Deus cristão, em que consiste essa onisicência?

    No Dharma,
    Maurício Meireles
    ---

    Posted 29 May 07

  • O que é o voto de bodhisattva para a escola Theravada?

    SheylaCosta - Visitante
    MensagemEnviada: Qui 08 Jun 2006 2:06 pm

    Ricardo,
    Sou praticante do budismo Vajrayana Gelup, e fiquei surpresa ao saber que existe também o voto de bodissatva na escola Theravada.
    Gostaria muito de receber uma explicação do que significa este voto para a escola Theravada e no que se difere das outras tradições enm especial a Vajrayana?
    Obridado pela atenção
    No Dharma

    Posted 29 May 07

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