Robermar Vieira - Visitante
MensagemEnviada: 07 Mai 2006 08:46 pm
Prezados Senhores, não tenho religião, mas sou atraído por elas, não podendo evitá-las e procuro entendê-las.
Quando me refiro a Buddha, estou me referindo a uma pessoa ou a um estado de iluminação? Creio que é esta última. Caso esteja certo, devo sempre citar o nome do Buddha ao qual quero fazer referência? Sidarta Gautama era um Bodhisatva, certo?
Se o Buddha Sidarta esclareceu que não havia Atman, e seu corpo físico era mortal, logo impermamente, o que é que Nele alcançou a iluminação, se tornando Buddha, já que os cinco agregados foram dissipados. Qual era a sua essência? Já que não há alma - Atman?
Ricardo, por favor, onde encontro o seu artigo que fala sobre Reencarnação/Ranascimento.
Atenciosamente,
Robermar.
[quote]Quando me refiro a Buddha, estou me referindo a uma pessoa ou a um estado de iluminação?[/quote]
Quando você se refere ao Buddha, você se refere ao que você deseja se referir :wink:
Ou seja, depende da pessoa dar o significado que ela quiser às palavras. Já quando a tradição buddhista se refere ao Buddha pode estar se referindo tanto à pessoa quanto ao estado de iluminação.
[quote]Devo sempre citar o nome do Buddha ao qual quero fazer referência? [/quote]
Dentro do Buddhismo toma-se por dado que é o Buddha Shakyamuni e somente quando vc quer se referir a um outro é que usa o nome específico.
[quote]Sidarta Gautama era um Bodhisatva[/quote]
Antes de se tornar Buddha, sim.
[quote]Se o Buddha Sidarta[/quote]
Não há 'Buddha Sidarta', já que Sidarta era um nome pessoal. Por vezes se o chama de Buddha Gotama.
[quote]esclareceu que não havia Atman, e seu corpo físico era mortal, logo impermamente, o que é que Nele alcançou a iluminação, se tornando Buddha, já que os cinco agregados foram dissipados.[/quote]
Os agregados não se dissipam na iluminação. Se fosse assim ele não teria vivido 45 anos após a iluminação.
[quote]Qual era a sua essência? Já que não há alma - Atman?[/quote]
Por que é preciso achar uma essência?
[quote]onde encontro o seu artigo que fala sobre Reencarnação/Ranascimento. [/quote]
Coloquei o link na msg anterior intitulada Reencarnação e Renascimento.
Robermar Vieira - Visitante
mensagemEnviada: 09 Mai 2006 07:45 pm
Ricardo, muito obrigado pelos esclarecimentos.
Um grande abraço,
-------------
Enviada: 09 Mai 2006 08:02 pm
Prezado Ricardo, boa noite! Agradeço a sua tolerância. Perguntei sobre a essência porque se ao final de centenas de renascimentos, o que acumulou experiências para que chegasse ao estado Buddhico? Não sei se você, permita-me tratá-lo assim, ou outro refere-se ao EU, logo isso me dá uma idéia de que há algo que sobrevive àquilo que chamamos de matéria.
É verdadeiro que o Buddha Gotama ascendeu ao "céu"?
[quote]Perguntei sobre a essência porque se ao final de centenas de renascimentos, o que acumulou experiências para que chegasse ao estado Buddhico?[/quote]
E quem disse que o caminho espiritual tem a ver com "acúmulos e acréscimos". Já tentou pensar ao contrário? :o
[quote]
Não sei se você, permita-me tratá-lo assim, ou outro refere-se ao EU, logo isso me dá uma idéia de que há algo que sobrevive àquilo que chamamos de matéria.[/quote]
Mesmo a matéria sobrevive, afinal segundo Lavoisier (não era ele?) nada se perde, tudo se transforma. Então nada se perde, mas nada permanece o mesmo não é? :wink:
[quote]É verdadeiro que o Buddha Gotama ascendeu ao "céu"?[/quote]
Não, não! O "céu" no Buddhismo é um estado condicionado. Arahant e Buddhas não vão para nenhum "céu" qdo morrem.
Robermar Vieira - Visitante
MensagemEnviada: 10 Mai 2006 11:40 pm
Prezado Ricardo, boa noite! Agradeço a atenção.
Sim tudo está em permanente mutação. Se não me engano, foi Heráclito que, alguns séculos A.C., dizia nunca nos banharmos no mesmo rio.
Sim, a matéria continua a existir. Mas por que algo utiliza a matéria para chegar ao estado Crístico ou Búddhico, se não permanecesse algo que levasse essa experiência que teve um início e o seu ápice será chegar a um daqueles estados, já que somos Buddhas ou Cristos em potencial?
Muito interessante: vi numa outra exposição a palavra Sidhata (os cinco agregados). É o mesmo que Sidharta? De um modo semelhante a karma e kamma; dharma e dhamma?
[quote]Mas por que algo utiliza a matéria para chegar ao estado Crístico ou Búddhico, se não permanecesse algo que levasse essa experiência que teve um início e o seu ápice será chegar a um daqueles estados, já que somos Buddhas ou Cristos em potencial? [/quote]
Nossa, Robermar, há tantas formas de responder isso. É difícil porque pela sua pergunta vc está partindo de um ponto de vista meio espírita/evolucionista. Mas, enfim, se fossemos buddhas em potencial, não haveria necessidade de levar "algo" para o mesmo estado que já existe, não?
[quote]Muito interessante: vi numa outra exposição a palavra Sidhata (os cinco agregados). É o mesmo que Sidharta? De um modo semelhante a karma e kamma; dharma e dhamma?[/quote]
Não estou a par de Sidhata ser sinônimo de cindo agregados. Agragados em sanscrito é skandha, e vc deve ter se confundido ou quem escreveu o que vc leu. Em pali é khandha e, sim, karma e kamma; dharma e dhamma são sinônimos.
abraço!
Robermar Vieira - Visitante
MensagemEnviada: 12 Mai 2006 10:11 pm
Prezado Ricardo, a palavra Sidatha está citada em "Sujeição do Buddha à morte" nesse mesmo forum. Poderia dar uma olhada, por gentileza?
Muito obrigado!
Robermar.
[quote]A palavra título está inserida no do contexto?[/quote]
No contexto deste fórum, só 'ricardo' é suficiente.![]()
[quote]a palavra Sidatha está citada em "Sujeição do Buddha à morte" nesse mesmo forum. Poderia dar uma olhada, por gentileza?[/quote]
Essa palavra não consta nem de meu dicionário de pali nem de sânscrito. Quem sabe seja algum obscuro termo do Abhidhamma?! Sugiro que vc escreva no referido tópico para que a pessoa que o mencionou possa lhe responder.
Abraço
Robermar Vieira - Visitante
MensagemEnviada: 13 Mai 2006 12:19 pm
Ricardo, respeitosamente, é certo que não necessitaríamos chegar lá se o potencial fosse plenamente manifesto desde o início. Já nascesse pronto. Mas desde que nos manifestamos no samsara, e aí nos ligamos às necessidades básicas de sobrevivência, que dão origem a dukkha, nos desligando daquela natureza. Por vezes podemos vislumbrar essa outra natureza, mas a ilusão pode ser mais forte e virarmos as costas para a Iluminação. Contudo o desejo está lá, tornando-se causa com efeitos em futuros renascimentos.
Mesmo Sidartha Gotama manifestou-se no mundo samsárico, porém já trazia as experiências de outros renascimentos, o que já lhe dava embasamento, mesmo que a princípio não o soubesse. Mais tarde por meio do "impulso criado pelas ações volitivas" conseguiu renascer e tornar-se o Buddha. Se fosse depender tão-somente do condicionamento advindo das ações tomadas por sua família, cuidando para que não visse a doença, a velhice e a morte, talvez, como a maior parte dos seres humanos (uns mais, outros menos), houvesse permanecido na ilusão. Porém, algo começou a despertá-lo de maneira irrevogável.
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